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carro elétrico a abastecer

Carros elétricos: como vão mudar a sua vida pessoal e financeira

Ekonomista
Por Ekonomista 30 Junho 2020  •  7 Minutos
carro elétrico a abastecer
Os carros elétricos afirmam-se no mercado de dia para dia. Mas, quais são os benefícios e condicionantes destes automóveis na sua vida? Descubra tudo aqui.

 

Quem opta por adquirir carros elétricos, pode fazê-lo por variadíssimas razões.

 

Seja porque acredita tratar-se da tecnologia dominante no mercado automóvel num futuro próximo, seja porque quer contribuir para a sustentabilidade do meio ambiente, seja porque acredita ser a opção mais económica, todas as opções são válidas.

 

Contudo, a compra de um automóvel é algo muito pessoal e este deve, em primeiro lugar, satisfazer as necessidades do seu proprietário.

 

É, por isso, importante compreender as diferenças existentes entre os carros elétricos e os chamados carros convencionais (veículos a combustão).

 

Antes de se optar pela compra de um veículo elétrico, é essencial perceber quais as principais diferenças entre uma e outra tecnologia e o que muda na rotina de uma pessoa que compra um carro elétrico.

 

Este conhecimento será fundamental para uma tomada de decisão mais ponderada e correta.

 

Neste artigo analisamos as principais diferenças com as quais se irá deparar caso opte por adquirir um veículo elétrico, e de que forma essas mudanças poderão ter impacto no seu dia a dia.

 

5 fatores a considerar antes de comprar um carro elétrico

 

carro elétrico a circular

 

1. Abastecimento vs. carregamento

 

Talvez não seja a principal diferença, mas é, sem dúvida, aquela que mais impacto tem na rotina dos proprietários de carros elétricos.

 

Os veículos convencionais necessitam ser abastecidos com o tipo de combustível (diesel ou gasolina) indicado pelo fabricante.

 

Sempre que necessário, ou quando o proprietário considere conveniente, basta uma deslocação até um posto de abastecimento e, em cerca de cinco minutos (ou menos) o carro tem combustível suficiente para percorrer centenas de quilómetros.

 

Em Portugal Continental, de acordo com dados da APETRO– Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas, existem cerca de 3.145 postos de abastecimento, o que significa que facilmente, e praticamente em qualquer lugar, se encontra um posto de abastecimento para abastecer o veículo.

 

A realidade para os veículos elétricos (ainda) não é essa. No entanto, nos últimos anos a rede energética tem aumentado rapidamente. 

 

De acordo com dados disponibilizados pela MOBI.E, já são, ao todo, 50 as cidades do país que possuem postos de carregamento, sendo o total de postos de carregamento de rua de 1.250.

 

A rede pública possui três tipos de postos de carregamento: postos normais de 3,7 kVA, postos semi-rápidos de 22 kVA, e postos rápidos de 43 kVA.

 

Os postos considerados normais, com uma potência de 3,7 kVA são, à data, gratuitos, ou seja, não paga a eletricidade utilizada para o carregamento.

 

No entanto, o carregamento através destes postos, embora mais “amigos” das baterias, pois ajuda a preservar a sua capacidade e bom funcionamento, demora mais tempo.

 

Por outro lado, os postos de carregamento rápido de 43 kVA, também conhecidos como superchargers, encontram-se, na sua maioria, em áreas de serviço de autoestradas. 

 

A sua vantagem é que permitem carregar até 80% da bateria em cerca de 30 minutos (dependendo da potência do supercharger que varia entre os 50 e os 350 kW).

 

Estes tempos de carregamento variam de acordo com a bateria do automóvel. Seja em casa na tomada “normal” ou com wallbox, nos carregamentos externos nos postos “tradicionais” ou nos superchargers, uma bateria de 39 kWh vai exigir menos tempo de carregamento do que uma bateria de 64 kWh

 

Para ilustrar os tempos de carregamento de um carro elétrico, desenvolvemos um simulador que lhe permite calcular o tempo de carregamento necessário para obter uma determinada percentagem de bateria e respetiva autonomia, de acordo com o modelo do carro e a capacidade da bateria.

 

Como obtenho um cartão para carregar na rede pública?

 

O carregamento dos carros elétricos na rede pública implica a aquisição de um cartão que permite aceder às máquinas localizadas nos postos de carregamento.

 

É necessário celebrar um contrato com um Comercializador de Energia de Mobilidade Elétrica (CEME), que é, na realidade, uma empresa fornecedora de energia com oferta comercial para a mobilidade elétrica.

 

É a esta empresa que pagará a eletricidade consumida nos carregamentos na rede pública. Mas, não é este o único custo com o carregamento nesta rede.

 

Tem ainda que ter em conta os impostos aplicáveis e o custo de utilização do posto, um valor que tem que ser afixado em cada posto pelo operadores de mobilidade, ou seja, a empresa responsável pela instalação e operação desse posto de carregamento.

 

Contudo, os veículos elétricos apresentam aquilo que pode ser considerada uma vantagem: podem ser carregados a partir de praticamente qualquer tomada elétrica, nomeadamente em casa.

 

O carregamento numa tomada elétrica doméstica convencional é muito demorado. O carregamento de 100% da bateria de um carro elétrico pode demorar até quase dois dias.

 

Assim, a melhor solução passa por adquirir uma wallbox.

 

Uma wallbox é como que um posto de carregamento doméstico que reduz o tempo de carregamento dos carros elétricos através da transferência de uma maior quantidade de energia elétrica para o veículo.

 

2. Autonomia

 

Par a par com o abastecimento/carregamento, temos a autonomia.

 

Embora a autonomia dos carros elétricos tenha vindo a aumentar e seja possível encontrar no mercado alguns veículos que oferecem autonomias superiores a 400 quilómetros, como é exemplo o Hyundai KAUAI Electric, os veículos convencionais conseguem oferecer uma autonomia superior.

 

No entanto, a menos que percorra grandes distâncias diariamente (500 quilómetros), a situação da autonomia e carregamento do automóvel resolve-se facilmente com o planeamento da utilização do automóvel.

 

Imagine que pretende fazer uma viagem de férias do Porto ao Algarve, facilmente, consegue com um carro elétrico. 

 

Para isso, inicia a viagem e quando fizer uma pausa para almoçar em família, realiza um carregamento de 40 a 50 minutos num posto de carregamento rápido, e já tem autonomia para o resto da viagem.

 

Se, por exemplo, sabe que diariamente faz 300 quilómetros, provavelmente, terá de carregar o carro todos os dias à noite para garantir que no dia seguinte tem autonomia suficiente para ser utilizado.

 

Em contrapartida, se percorre poucos quilómetros por dia, por exemplo 20 quilómetros, uma carga poderá ser suficiente para toda a semana.

 

A autonomia é um ponto crítico para quem percorre muitos quilómetros diariamente. No entanto, tudo se resolve com um bom planeamento.

 

3. Manutenção dos veículos

 

carros elétrico em manutenção

 

Quando falamos de manutenção (algo também muito importante para qualquer proprietário) são muitas as vantagens dos carros elétricos.

 

A manutenção dos veículos elétricos tem uma periodicidade inferior à dos carros convencionais com motor a combustão, é mais simples e é também mais económica.

 

Os veículos a combustão devem fazer uma revisão a cada 15.000 km, aproximadamente, enquanto que um carro elétrico deve fazer uma revisão a cada 50.000 km.

 

Um veículo a combustão tem muitos mais componentes que exigem manutenção e substituição periódica que um elétrico.

 

São exemplos o filtro de combustível, filtro de óleo, óleo do motor, correia de distribuição, que simplesmente não existem no veículo elétrico.

 

Para além disso, as pastilhas dos travões, por exemplo, têm um menor desgaste nos veículos elétricos pois estes têm um sistema de travagem regenerativo que apenas utiliza as pastilhas de travões em travagens repentinas e a fundo.

 

Sendo a manutenção menos frequente e a necessidade de substituição de componentes menor, a manutenção dos carros elétricos deverá também ser mais barata.

 

4. Benefícios e incentivos fiscais para carros elétricos

 

Sem dúvida que no que diz respeito a impostos, os carros elétricos são bastante favorecidos.

 

Para além de existirem apoios e isenções específicas para os veículos elétricos, os carros a combustão são cada vez mais penalizados com aumento de impostos.

 

Com o objetivo de promover a aquisição de veículos 100% elétricos, o Governo português criou vários incentivos à aquisição deste tipo de veículos.

 

São exemplos a isenção do Imposto Único de Circulação, que permite eliminar um custo que seria anual e a isenção do Imposto Sobre Veículos, que diminui o preço final de venda do veículo.

 

Para além disso, o Estado criou ainda um apoio monetário de 3.000€, a ser atribuído a beneficiários que se candidatem e cumpram os requisitos de elegibilidade.

 

A candidatura a este apoio tem que ser apresentada em formulário próprio no site do Fundo Ambiental e, em 2020, este incentivo tem como limite total anual e para todas as categorias de veículos considerados (veículos ligeiros elétricos, motociclos de duas rodas e ciclomotores elétricos, bicicletas elétricas, bicicletas de carga e bicicletas convencionais) de 4.000.000€.

 

Para as empresas, para além dos benefícios referidos anteriormente, existe ainda a possibilidade de dedução do IVA do veículo, permitindo reduzir significativamente o valor de custo do automóvel.

 

5. Os carros elétricos são mesmo a opção mais económica?

 

Sim. Mas, para uma resposta correta, têm que ser considerados vários fatores, nomeadamente o custo de aquisição do veículo, os benefícios e incentivos, os quilómetros percorridos diária e anualmente e os custos de manutenção.

 

O custo de aquisição de um veículo elétrico à partida será superior à de um veículo convencional com as mesmas características.

 

No entanto, o que se poupa em combustível e manutenção, para além dos benefícios fiscais, pode compensar, a nível monetário, a aquisição de um veículo elétrico.

 

Quantos mais quilómetros percorrer, mais poupará em combustível, isto porque o preço da eletricidade é bastante inferior ao preço dos combustíveis.

 

Consideremos que um carro a diesel consome 7 litros a cada 100 quilómetros, sendo o custo do litro de diesel 1,30€, e que o elétrico consome 15 kWh de eletricidade a cada 100 km, sendo que cada kWh custa 0,22€.

 

Utilizando os valores referidos, percorrer 100 quilómetros num carro a gasóleo custará 9,87€, enquanto que num veículo elétrico custará 3,30€.

 

Se o seu carro apresenta consumos diferentes ou até seja a gasolina, poderá utilizar a nossa calculadora e introduzir os valores que desejar para calcular o montante que vai poupar através de um carro elétrico.

Os custos de manutenção dependerão sempre do próprio veículo adquirido e da utilização que é feita deste.

 

É necessário ter alguns cuidados para preservar o veículo, nomeadamente optar por carregamentos mais lentos para proteger a capacidade e vida útil da bateria.

 

Ekonomista
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